10 de agosto de 2012

Amar-te-ei sempre mas...

... O esquecimento que o tempo arrasta é, sempre, um passo mais rápido do que a eternidade da memória que o mais belo gesto de amor carrega. Eis porque temo que todo o Amor que te tenha dado não tenha recebido o devido valor...

13 de julho de 2012

Mais forte do que eu...

Respiro. Não, suspiro. Fecho os olhos. Tudo escuro. Abro o livro. Palavras que só estão. Toco a música. Palavras que se vão. Olho para mim. Ninguém. Olho para ti. Suspiro novamente. Mente? Pergunto-me sobre a razão. Abro o coração. Imploro por compreensão. Olho para o lado. Nada. Olho para dentro. Tantas saudades. Só as sente quem não tem. Não te tenho. Mas tenho. Uma cama vazia. E o teu cheiro. Apenas recordações. E ilusões? Surpreender-me-ás? Aparecerás agora? Não. Só em sonho. Mas estou acordado. E sonho. Vens? Estou acordado. Faz-me dizer. Viver. Faz-me gritar. Chorar. "Não é um sonho, é real." Volto a fechar os olhos. Tanto. De ti. Abro-os. Olho para o lado. Nada mudou. Nada. No mar. Fundo. Até dentro de mim. Escuro. Como a noite. Mais uma se passou. Mais uma... Noite. Lágrima... E nada. De ti. Apenas um... preciso. Te. Mas nada. Nada. De ti. Meu amor...

9 de julho de 2012

Há dias assim...

Em que de tanto se usar palavras para escrever...
Nenhuma sobra para se ler...

7 de julho de 2012

Minha velha negra...


Minha velha negra. Finalmente. Tanto tempo após... Finalmente. Sim, finalmente. Não sei se me vês neste instante, mas eu vejo-te e por uma quarta e quinta vez suspiro finalmente. Sim, finalmente... Por ventura não me vês porque o quadro que pinto apenas te retrata a ti. Sim, penso que não me vês porque o teu olhar, embora em mim, só te espelha a ti. Tudo o que de mim sobra são as cores que te pintam a ti... Ou então, não... Vês-me e eu tenho medo? Se calhar é isso, também me vês mas o meu olhar não me permite ver... a mim? Então por que não a mim? Porquê só a ti?
Encanto não poderás ser só... Não enquanto te canto. Espanto também não... Não. És pó. És terra. És raiz de vida e no teu leito recolhes e embalas como manto o nosso prometido. Tão quente... Sim... Quase que sinto o teu ventre novamente. Ouves? Um pulsar, um ecoar, um ressoar... Aquele som outra vez. És tu a vibrar luz e não fosses tu aquela que por nome se baptiza de, e por, Luz.
Minha velha negra, que saudades tinha de te ver assim, a adoçar o nosso filho nos teus braços para uma noite de encantar. Desejo tocar-te. Desejo proteger e confortar toda a tua dedicação ao nosso filho. Amo sentir a mãe que és. Amo... Deitar-me... Sentir-me pequeno... E aninhar-me aos teus pés. De verdade Meu Amor, às minhas mãos apenas tenho os teus pés. Fortes, intensos, caminhados. Tão bonitos e tão negros; do pó, de ti... Desejo tocar-te. Em parte, também embalar-te. Mas será suficiente? Como poderei dar o tanto que tu dás ao nosso prometido? Como poderei retribuir o tanto que me dás sem sequer me dares ou me tocares a mim?
Minha preta... Por vezes sinto-me tão pouco. Não me sinto assim por de facto o ser mas por te sentir tanto. E tu és. Todo esse tanto... Olho-te agora, debaixo do teu ventre, amacio-te e curo-te o peso dos passos, pesados, de uma vida, que por tanto ter nada leve se deixou perecer. Apercebo-me que apesar de sempre me ter exposto para ti, no fundo sempre pensei que estivesse protegido. 

«Sinto a tua dor...»

Sempre acreditei que só eu te via e mesmo quando levantava um pouco o que sou, apenas para adoçar a tua curiosidade e te manter comigo, pensei estar protegido. Quase invisível. Mas não. Na verdade, sempre que olhava para ti, também eu era invadido. Também tu me vias a mim... O caminho sempre foi feito em dois sentidos. Assim era. Eu ia até ti e tu vinhas até mim. E isso:

«Fascina-me mas também me assusta...»

Minha velha negra, não te dedico um canto, um pranto ou uma devoção. Apenas um pedaço de mim partiria em pedaço a verdade do tanto que desejo para ti. Matar-me-ia de saudade... E eu sou fraco. Não aguentaria a tua ausência... Dar apenas parte do meu todo é um tanto que nunca chegaria, um todo que não aguentaria. Também por isso, e arriscando dar o meu todo, arriscando perder o tudo que tenho em mim se nada quiseres de mim e me deixares cair aos teus pés, mas desta vez já sem os teus pés para mim..., fecho os olhos de cansaço e Dedico-me não em parte, mas por inteiro a ti...


«Espera! Diz-me... Vês-me agora tu a mim?»