Se há tempos que me voam para longe e me deixam para trás, bem para trás, com aquele estranho e suspirante aperto de saudades, são aquelas tardes, distantes, que pareciam não ter uma hora marcada para terminar ou uma despedida por anunciar. Por essa altura, em que o prazer era duradouro e as expectativas eram todas palpáveis, eu vivia descançado e entregava-me ao momento como se o amanhã fosse uma realidade demasiado desconhecida para um dia se poder tornar verdade em mim. E não é que era mesmo?
«Não.»
Os dias passaram, as tardes também, e eu fiquei-me, por aqui, enterrado nas sensações que só uma mente ausente de pensamentos consegue auferir a baixo custo. E lá se foram elas então, as tardes - malditas! -, com o vazio que o aconchego do teu colo me deixou. E com elas, não me canso de as apontar, também tu foste de lenço hasteado em «aDeus» deixando-me pela primeira com a eterna questão: será a ele que hoje entregas toda a doçura daquelas tardes?
Com a viagem que há muito tempo tinhas marcado, levaste-me a segurança e deixaste-me livre, ao sabor do vento, por vezes com frio e sem saber onde me refugiar; naquelas tardes eu sabia sempre onde te procurar... Lembraste? «Não.» me respondes, não podes, eu sei, mas eu lembro-me, bem aqui, no centro do meu coração, onde ficarás eternamente enquanto eu existir, enquanto em mim houver mente, enquanto em vida residir. Chega-me esta para eu poder sorrir.
Os dias passaram, as tardes também, e eu fiquei-me, por aqui, enterrado nas sensações que só uma mente ausente de pensamentos consegue auferir a baixo custo. E lá se foram elas então, as tardes - malditas! -, com o vazio que o aconchego do teu colo me deixou. E com elas, não me canso de as apontar, também tu foste de lenço hasteado em «aDeus» deixando-me pela primeira com a eterna questão: será a ele que hoje entregas toda a doçura daquelas tardes?
Com a viagem que há muito tempo tinhas marcado, levaste-me a segurança e deixaste-me livre, ao sabor do vento, por vezes com frio e sem saber onde me refugiar; naquelas tardes eu sabia sempre onde te procurar... Lembraste? «Não.» me respondes, não podes, eu sei, mas eu lembro-me, bem aqui, no centro do meu coração, onde ficarás eternamente enquanto eu existir, enquanto em mim houver mente, enquanto em vida residir. Chega-me esta para eu poder sorrir.
E é essas tardes que quero repetir, com aquele sorriso interno - terno! -, com certeza já não contigo, talvez já não tão distante ou saudoso, mas com certeza num igual momento em que o aconchego já não morará no colo que o meu corpo precisa para brincar mas no embalo que o meu corpo tem para oferecer num pequeno respirar... Fundo.
Agora é a minha vez de me entregar, tal como a tua mãe fez contigo e tu fizeste comigo; agora é a minha vez de embalar, fortalecendo nas mágoas e amortecendo nas vitórias, sendo um pouco mais tu e eu, e porque não, sendo um pouco mais de mim para... e até... Ti.
Agora é a minha vez de me entregar, tal como a tua mãe fez contigo e tu fizeste comigo; agora é a minha vez de embalar, fortalecendo nas mágoas e amortecendo nas vitórias, sendo um pouco mais tu e eu, e porque não, sendo um pouco mais de mim para... e até... Ti.
Pintura: William Bouguereau



